Edição 14/10/2011 às 20:24h

Professores e o futuro da sociedade

Cronista comenta a \'trajetória sagrada de educar\'

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 Começo este texto sem ter o que dizer, pois tudo já foi dito sobre o idealismo e as virtudes do professor.  

         Que ele é leal, abnegado, compromissado com a idéia de um país melhor, sobrecarregado de tarefas sem tempo para a própria família, dedicado à Escola, aos alunos e à comunidade, tudo isso sabemos e eles os professores, principalmente, sabem muito bem.

         Que, enquanto todos os outros, operários e funcionários, chegam a casa e vão descansar ou ver televisão, relaxar, eles vão para seus gabinetes de trabalho estudar, corrigir provas, elaborar projetos, preparar aulas, analisar problemas de alunos etc...

         Que, até mesmo suas autoridades foram anuladas por excessivos direitos concedidos aos menores e adolescentes, deixando-os desamparados da disciplina comportamental e da sujeição pela hierarquia, tão importantes para que a ordem e o respeito imperem em sala de aula e na Escola...

         Que, não raras vezes, são vítimas de insultos, agressões, brincadeiras de mau gosto, imputação de falsas condutas pelos alunos...

         Que, quase sempre, ao repreender alunos por conduta indevida em sala ou em corredores do Colégio, têm, no outro dia, que se humilhar diante de pais mal educados que preferem passar a mão na cabeça de pirralhos problemas, do que aceitar a verdade do professor...

          Que, embora na grande maioria das vezes recebam a solidariedade, o apoio moral e até suporte jurídico para enfrentar problemas de maior gravidade, quase sempre acabam mal diante de autoridades que aplicam a Lei sem se importarem muito com a difícil realidade do quotidiano de um Mestre...

         Que, embora tenham que lidar com vinte, trinta, às vezes até quarenta alunos em sala de aula são chamados a darem explicações por simples “birra” de um discente que se recusa a participar, com os outros, das tarefas diárias...

         Que dizer, então, de sua batalha diuturna contra os males do fumo, das bebidas e das drogas a que estão sujeitos os menores influenciados pela propaganda, pelo estímulo e pelo modismo por que passa nossa civilização?

         E de sua batalha para incutir, de modo educativo, na cabeça dos menores a idéia de que a vida oferece outros valores e outros sabores, de conquistas mais demoradas, mas mais saudáveis para o encontro da paz de espírito e da felicidade?

         O universo profissional de um professor é tão amplo e tão complexo que num simples trabalho como este fica difícil retratá-lo em sua plenitude.

         Mas podemos, pelo visto até aqui, ter uma idéia das dificuldades, dos problemas que têm que enfrentar no dia a dia.

         E de tudo isso, todos nós, professores e observadores, estamos cansados de saber.

         Por tudo o que foi dito, são justas as homenagens que recebem.

 

         Meu saudoso pai, quando nós, os filhos, genros, noras ou netos, faziam-lhe algum elogio ou homenagem (é claro que ele ficava muito feliz) tinha por hábito brincar conosco, dizendo: “minha parte eu quero em dinheiro”.

 

         Assim também acho que deve pensar o Professor.

Têm recebido muita homenagem, mas não seria o caso de o governo pensar em melhor remunerar estes tão importantes profissionais para o Brasil?

 

         Qual a razão de o governo não se preocupar um pouco mais em alocar verbas mais substanciosas para os Colégios, equipando-os com móveis, carteiras, instrumentos de trabalho, de pesquisas, laboratórios, bibliotecas, infra-estrutura, computadores, etc., com vistas a fornecer melhores condições de trabalho para os Mestres?

         Não me refiro ao caso específico de minha cidade, mas falo na educação como uma realidade nacional, onde, no interior deste País, principalmente no Norte, Nordeste e Centro Oeste a situação é crítica.

         Mesmo nos estados do Sul e do Sudeste onde tudo está muito melhor, ainda está longe do ideal.

         Começar por remunerar melhor o Professor já é um grande passo, pois sabemos que muitos Mestres levam de casa materiais para desenvolverem seus trabalhos, que deveriam encontrar na Escola, fornecidos pelo Estado.

         Inclusive lanche para alguns alunos mais pobres, é do conhecimento geral que alguns professores fornecem da própria despensa.

         Entretanto, não basta o governo fornecer o material didático, a merenda e outras necessidades à Escola. É preciso criar mecanismos para nomear os responsáveis pela guarda e racional utilização destes materiais, como também criar mecanismos fiscalizadores sobre estes responsáveis, de modo que tais bens sejam empregados em benefício de todos os alunos e professores.

         Sabe-se de casos, pelos jornais, de extravio de computadores, de merenda escolar, de material didático, etc., por falta de estrutura organizacional e de fiscalização nas Escolas.

         Às vezes o Governo até fornece alguma coisa, computadores, por exemplo, mas não se preocupa com as despesas de instalação, deixando a cargo do Colégio que não dispõe de recursos. Resultado: apodrece na caixa.

Este ano que estamos vivendo, Minas Gerais foi um Estado que ficou, pelo que vimos nas notícias, quatro meses, mais ou menos, sem aulas por motivo de greve dos professores.

         Estão errados os professores em paralisar?

         Pergunta fácil, de resposta difícil.

         A realidade é que centenas, milhares de alunos, ficaram sem aulas e foram prejudicados.

         Os professores perderam ponto diante da opinião pública, os alunos perderam aulas, o Estado perdeu o controle e deixou de cumprir com sua função administradora.

         Todos nós, brasileiros, perdemos.

         Porque o governo, o único responsável por isso, deixa a situação atingir este patamar? Porque não avaliar as reais condições dos Mestres? Porque não ceder um pouco?

         A resposta do Governo é: “Não há recursos.”

 

         Enquanto isso, em Brasília, Deputados que representam todas as regiões do País, Senadores, etc., dão mostras de que dinheiro não falta. Manejam e remanejam gordas verbas, visando, sempre, aplicá-las onde haja maiores possibilidades de obter certeza de lucros eleitoreiros.

Todos os dias aparecem nos jornais notícias de desvios de verbas públicas. Corrupção (ativa e passiva), maracutaias de todos os tamanhos e para todos os gostos. Dinheiros nos paraísos fiscais, compras de fazendas, apartamentos em Miami e por aí vai... Os meus leitores sabem bem do que falo.

Agora, começam a pipocar notícias de que até (alguns) juízes estão VENDENDO SENTENÇAS!

         Lamentável!

         Será o fim?

         Não. O povo brasileiro começa a dar mostras de que está enjoado desta situação. Alguma coisa vem por aí...

         Mas não é sobre a corrupção que desejo falar, neste dia solene.

 

         O que desejamos do fundo do coração é que os Professores de todos os níveis e de todas as áreas recebam do povo brasileiro, dos homens e mulheres de bem e que desejam o bem deste País, o mais caloroso e fraternal abraço neste seu dia.

         O DIA DO PROFESSOR!

         Que ele seja aproveitado para momentos de reflexão e de paz e que, junto da família, possam gozar as delícias de saber que, apesar de todas as dificuldades, constroem, tijolo por tijolo, o edifício chamado BRASIL.

         Parabéns PROFESSOR (faço questão de grafá-lo com maiúsculas) pelo seu dia. Felicidades, sempre, em sua trajetória sagrada de educar.

        

          

        

        

        

 

        

        

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