Edição 04/09/2011 às 17:34h
O mundo quer Justiça
Colunista fala sobre ideal de equilíbrio e correção
Justiça é um ideal. Por mais que façamos por alcançá-la, procurando dar a cada um segundo o seu merecimento, talvez jamais possamos implantá-la com a devida eficiência.
Justiça não é atributo que se espere apenas dos juízes institucionais, mas, cada um de nós, a cada instante, está com a responsabilidade nas mãos para aplicá-la.
O pai que parte um pão para dois filhos pratica a Justiça. O patrão que distribui o trabalho entre os seus empregados, levando em conta os limites, capacidades e salários de cada um, pratica a Justiça. O comerciante que mede, pesa e cobra com exatidão seus produtos, pratica a Justiça. O cidadão comum, no trato diário com seus semelhantes, respeitando-lhes a integridade, a dignidade e a liberdade, pratica a civilidade que é outra forma de Justiça.
Em teoria parece muito fácil, mas a prática demonstra que Justiça, na sua mais pura expressão, é ideal difícil de ser alcançado.
Poderíamos comparar o ideal de Justiça com a historinha do carroceiro que, sentado em sua boléia, lança uma vara comprida com linha e na ponta desta uma cenoura por sobre o animal a sua frente, de modo que a cenoura fique ao alcance das vistas do cavalo e este, no desejo de alcançá-la, vai andando em sua direção para apanhá-la, mas à medida que anda a cenoura vai para frente e o animal, assim, não empaca, mas também não a alcança.
Perseguimos a Justiça, mas nunca a alcançamos plenamente.
Temos visto o Tribunal Penal Internacional chamar para prestar contas de seus atos, réus por crimes de guerra, de genocídio, contra a humanidade, contra cidadãos patrícios, de lesa pátria e outros.
Muitos chegam às barras deste Tribunal já velhos, doentes e sem expectativa de vida futura, mas, mesmo assim, o espírito de civilização do homem tenta fazer Justiça, permitindo que se defendam, julgando-os, declarando-os inocentes ou culpados e aplicando as penas cabíveis para cada caso.
Lembramos o julgamento de alguns criminosos nazistas ainda não faz muito tempo. Criminosos do tempo da segunda grande guerra, transcorridos cinqüenta anos ou mais do fim daquele inferno na terra. Assim foi também com Pinochet e outros de mesma conduta.
Pois bem, foi em conseqüência desta grande guerra que se aperfeiçoou a Organização das Nações Unidas, a ONU, que já existia com outra denominação e com funções mais reduzidas.
Foi recriada e modernizada justamente para que intercedesse no sentido de que conflitos desta natureza não ocorressem mais. Para isso congregaram-se as grandes nações da terra, firmando pactos importantes, solenes e jurando a respeitabilidade das normas que acabavam de criar em benefício da paz mundial.
Os Estados Unidos, como um dos líderes dos países aliados, firmou o acordo. E tem sido coerente quando o assunto não o envolve.
Agora vamos ver o que acontece quando os Estados Unidos são os envolvidos.
Nada!
Antes de ter início a guerra do Iraque houve uma grande movimentação internacional para que a guerra não eclodisse. Os principais países do mundo, e nos lembramos muito bem que a França foi apenas mais um deles, inclusive o Brasil foi contra a que se atacasse o Iraque.
A ONU por decisão da maioria dos países nela reunidos se manifestou contrária. Vetou a guerra.
Havia uma opinião mundial formada que se opunha veementemente à guerra.
Todos tinham certeza (por seus serviços secretos) que o Iraque não desenvolvia armas atômicas e não representava perigo para a humanidade, mas os Estados Unidos teimava em atacar.
Alegava que o Iraque desenvolvia as tais armas atômicas e outras armas químicas. Mas todos sabiam que fazia mais de dez anos que aquele país havia desmontado sua indústria bélica, inclusive os americanos.
Vivemos num mundo onde os países têm e devem ser respeitados em sua soberania. Se as coisas vão mal dentro da pátria e o governo não satisfaz, cabe ao seu próprio povo escolher o seu caminho, decidir o seu destino. Depor um governo tirano ou corrupto é coisa que compete ao povo de cada nação.
Se não é assim, porque os Estados Unidos não age, igualmente agiu no Iraque, na Somália?
Estiveram lá, mas devido à complexidade do lugar abandonaram a empreitada e foram substituídos pela ONU. Não conseguiram pacificar a Somália, então porque não usaram lá a mesma força que estão usando no Iraque? Questão de vaidade pessoal de Bush? Desinteresse ou o que?
Aliás, o que estamos a ver acontecer no momento é o correto.
O Egito e a Tunísia, por seus próprios povos, já depuseram os ditadores criminosos e estão em fase de transição para um novo governo. A Líbia está nas iminências de alcançar o mesmo objetivo e, na Síria, igualmente vai acontecer. É questão apenas de tempo.
A exceção por intervenção estrangeira fica por conta, apenas, quando forças militares, forças terroristas ou facções criminosas são mais fortes que a capacidade dos nativos de se defenderem dos crimes de que são vítimas e mesmo assim por solicitação diplomática formal à ONU.
E é assim que deve ser. Cada nação, conforme seus costumes, suas crenças, suas tradições, seu grau de desenvolvimento é quem deve, única e exclusivamente, escolher o seu destino.
Quando teve início a guerra do Iraque, ouvimos um cidadão iraquiano que mora no Brasil – em São Paulo – com mulher e filhos, mas que possui irmãos, pais, tios, sogros e outros familiares vivendo no Iraque se queixar da invasão americana.
Pela televisão ele dizia, com toda a razão, que os Estados Unidos não tinham nada que se imiscuir nas questões do Iraque. Que Sadan Russeim era realmente um problema, mas era um problema deles, iraquianos, e que cabia a eles, ao seu povo, resolver. E que mais cedo ou mais tarde resolveriam.
Como se não bastasse a opinião pública mundial e ainda o respaldo da ONU contrários, posicionaram-se contra a invasão o próprio povo daquele país que não só não queria ser bombardeado como temia as conseqüências da Guerra.
Já são quase dez anos de guerra infrutífera, mortes, mutilações, sofrimentos, prejuízos financeiros por... Nada!
O mais importante de tudo isso é que veio ao público declaração de um ex-embaixador americano, esclarecendo que o país africano (em que ele havia atuado como embaixador e que era acusado de fornecer os produtos e minérios para o desenvolvimento de armas atômicas), o Níger, estava sendo injustiçado.
Que não havia nenhum fornecimento para o Iraque. Que este país sequer possuía tais produtos. Que tinha grandes amigos no alto governo do Níger e que eles podiam afiançar com toda segurança que não haviam fornecido nada para o Iraque.
Valerie Plame, a mulher deste ex-embaixador, por coincidência, era uma espiã, agente na alta hierarquia da CIA, a grande empresa pública de espionagem norte americana, e, respaldando o marido, veio também ao público declarar que a CIA investigava este assunto há muito tempo e também podia afiançar que o Iraque não tinha meios materiais para construir armas atômicas. Que não havia perigo para o mundo. Que não havia risco nenhum.
Apesar disso tudo, Bush declarou, autoritariamente: com a ONU ou sem a ONU, com apoio ou sem apoio internacional vamos à guerra.
Não quis ouvir as vozes da razão, não deu ouvidos ao bom senso. Não teve compaixão. Não pensou em crianças, em velhos, em mulheres, em indefesos.
Quis por quis a guerra, com todas as atrocidades e conseqüências horríveis de operações desta natureza.
Foi como que uma vingança.
Seu pai, o velho Bush, ex-presidente norte americano, já havia, antes, atacado o Iraque numa guerra onde milhares haviam morrido de ambos os lados, muitos ficaram mutilados, muitos outros na miséria por verem seus lares e seu país destruído diante das forças esmagadoras do exército norte americano.
O país, já pobre em águas, viu os reservatórios poluídos pelo óleo, as usinas de petróleo, única fonte de rendas daquela nação desértica, destruídas, pontes derrubadas, hospitais em ruínas e, pior, monumentos históricos – Mesopotâmia: berço do mundo moderno, pelas antigas civilizações Sumérias, Assírias e Caldaicas – foram arruinados por bombas e mísseis. Dos museus dizem que pouco sobrou.
Mas o novo Bush queria mais.
Pelo que se depreende de seu comportamento, queria arrasar aquele pobre país. Queria vingar o pai.
Afinal, Sadan havia pintado a fotografia do velho Bush na porta de entrada do mais importante hotel da nação. Assim, todo visitante estrangeiro que fosse ao Iraque e ali se hospedasse, inclusive americanos, ao cruzar o umbral haveriam de pisar na foto do ex-presidente norte americano que havia destruído sua pátria.
Uma vingança puxa outra e eis que temos nova guerra
Bush não ouviu nem mesmo seus assessores mais diretos (A CIA, outros órgãos de segurança nacional, as Embaixadas, etc.) nem a opinião internacional expressa pela ONU.
Atacou e mais uma vez levou à morte milhares de pessoas de ambos os lados. Novamente mais mísseis e bombas caíram sobre o Iraque. Mais uma vez o País foi destruído. Mais uma vez miséria, fome e doenças. Mais uma vez destruição. Mais uma vez pontes, hospitais, escolas, museus, palácios, usinas, ruas e casas danificadas. Mais uma vez pessoas mutiladas e crianças órfãs.
Ficou comprovado pelas buscas realizadas pelos próprios americanos que o Iraque não tinha armas atômicas e nem representava perigo nenhum para a comunidade internacional.
Tudo era bravata de apenas dois homens. Bush de um lado e Sadan de outro.
Sadan pagou com a vida a sua parte.
E Bush? A nosso ver, tem tudo para ser classificado como réu em crime de guerra. Deveria comparecer, por isso mesmo, ao Tribunal Penal Internacional para responder pela morte e sofrimento de milhares de pessoas que morreram, continuam morrendo e sofrendo mutilações naquele país.
Mulheres, crianças, velhos, cidadão comuns e pacatos, pessoas simples que só querem trabalhar e viver em paz são mortos ou mutilados pela insanidade deste homem, que, por capricho pessoal, fez a guerra e por isso é responsável pela morte de milhares.
O poderoso presidente da nação mais poderosa da terra pode tudo?
Não.
Numa república não pode.
Tem que responder por seus atos diante da corte de Justiça de seu país. Se esta é condescendente com os atos de guerra cruéis cometidos injustamente que a Corte Penal Internacional, que existe para isso, tome as providências cabíveis.
Enquanto o Brasil, que apesar de todas as limitações, queria a busca do entendimento pela diplomacia, Bush queria a guerra e a fez.
Sobre este tema existe um excelente filme realizado pelos próprios norte-americanos, estrelado por Naomi Watts e Sean Penn que tem por título: “Jogo de Poder”. Nele está retratada toda a realidade dos supostos motivos para a guerra do Iraque.
Não somos advogados do diabo e nem defendemos Saddam ou qualquer outro ditador da mesma estirpe, mas somos, sim, pela Justiça e conclamamos para que todos nos unamos em torno dos fracos para que, no mundo, se reduzam as mortes desnecessárias, os sofrimentos e as diferenças sociais e todos os homens possam viver em paz e harmonia.
Que Bush responda diante de um Tribunal Penal Internacional, como todos os acusados de outros países, para ser julgado. Afinal, não foi ele quem disse “estar pouco se lixando para as leis internacionais?”
Ainda hoje, vendo pela TV um documentário sobre o onze de setembro, ouvi da boca do ex-presidente a repetição da fatídica e célebre declaração: “não nos interessam as leis internacionais”
O mundo quer Justiça ou não?
Não estaria na hora de o carroceiro parar a carrocinha e dar a cenoura ao cavalo?
Justiça não é atributo que se espere apenas dos juízes institucionais, mas, cada um de nós, a cada instante, está com a responsabilidade nas mãos para aplicá-la.
O pai que parte um pão para dois filhos pratica a Justiça. O patrão que distribui o trabalho entre os seus empregados, levando em conta os limites, capacidades e salários de cada um, pratica a Justiça. O comerciante que mede, pesa e cobra com exatidão seus produtos, pratica a Justiça. O cidadão comum, no trato diário com seus semelhantes, respeitando-lhes a integridade, a dignidade e a liberdade, pratica a civilidade que é outra forma de Justiça.
Em teoria parece muito fácil, mas a prática demonstra que Justiça, na sua mais pura expressão, é ideal difícil de ser alcançado.
Poderíamos comparar o ideal de Justiça com a historinha do carroceiro que, sentado em sua boléia, lança uma vara comprida com linha e na ponta desta uma cenoura por sobre o animal a sua frente, de modo que a cenoura fique ao alcance das vistas do cavalo e este, no desejo de alcançá-la, vai andando em sua direção para apanhá-la, mas à medida que anda a cenoura vai para frente e o animal, assim, não empaca, mas também não a alcança.
Perseguimos a Justiça, mas nunca a alcançamos plenamente.
Temos visto o Tribunal Penal Internacional chamar para prestar contas de seus atos, réus por crimes de guerra, de genocídio, contra a humanidade, contra cidadãos patrícios, de lesa pátria e outros.
Muitos chegam às barras deste Tribunal já velhos, doentes e sem expectativa de vida futura, mas, mesmo assim, o espírito de civilização do homem tenta fazer Justiça, permitindo que se defendam, julgando-os, declarando-os inocentes ou culpados e aplicando as penas cabíveis para cada caso.
Lembramos o julgamento de alguns criminosos nazistas ainda não faz muito tempo. Criminosos do tempo da segunda grande guerra, transcorridos cinqüenta anos ou mais do fim daquele inferno na terra. Assim foi também com Pinochet e outros de mesma conduta.
Pois bem, foi em conseqüência desta grande guerra que se aperfeiçoou a Organização das Nações Unidas, a ONU, que já existia com outra denominação e com funções mais reduzidas.
Foi recriada e modernizada justamente para que intercedesse no sentido de que conflitos desta natureza não ocorressem mais. Para isso congregaram-se as grandes nações da terra, firmando pactos importantes, solenes e jurando a respeitabilidade das normas que acabavam de criar em benefício da paz mundial.
Os Estados Unidos, como um dos líderes dos países aliados, firmou o acordo. E tem sido coerente quando o assunto não o envolve.
Agora vamos ver o que acontece quando os Estados Unidos são os envolvidos.
Nada!
Antes de ter início a guerra do Iraque houve uma grande movimentação internacional para que a guerra não eclodisse. Os principais países do mundo, e nos lembramos muito bem que a França foi apenas mais um deles, inclusive o Brasil foi contra a que se atacasse o Iraque.
A ONU por decisão da maioria dos países nela reunidos se manifestou contrária. Vetou a guerra.
Havia uma opinião mundial formada que se opunha veementemente à guerra.
Todos tinham certeza (por seus serviços secretos) que o Iraque não desenvolvia armas atômicas e não representava perigo para a humanidade, mas os Estados Unidos teimava em atacar.
Alegava que o Iraque desenvolvia as tais armas atômicas e outras armas químicas. Mas todos sabiam que fazia mais de dez anos que aquele país havia desmontado sua indústria bélica, inclusive os americanos.
Vivemos num mundo onde os países têm e devem ser respeitados em sua soberania. Se as coisas vão mal dentro da pátria e o governo não satisfaz, cabe ao seu próprio povo escolher o seu caminho, decidir o seu destino. Depor um governo tirano ou corrupto é coisa que compete ao povo de cada nação.
Se não é assim, porque os Estados Unidos não age, igualmente agiu no Iraque, na Somália?
Estiveram lá, mas devido à complexidade do lugar abandonaram a empreitada e foram substituídos pela ONU. Não conseguiram pacificar a Somália, então porque não usaram lá a mesma força que estão usando no Iraque? Questão de vaidade pessoal de Bush? Desinteresse ou o que?
Aliás, o que estamos a ver acontecer no momento é o correto.
O Egito e a Tunísia, por seus próprios povos, já depuseram os ditadores criminosos e estão em fase de transição para um novo governo. A Líbia está nas iminências de alcançar o mesmo objetivo e, na Síria, igualmente vai acontecer. É questão apenas de tempo.
A exceção por intervenção estrangeira fica por conta, apenas, quando forças militares, forças terroristas ou facções criminosas são mais fortes que a capacidade dos nativos de se defenderem dos crimes de que são vítimas e mesmo assim por solicitação diplomática formal à ONU.
E é assim que deve ser. Cada nação, conforme seus costumes, suas crenças, suas tradições, seu grau de desenvolvimento é quem deve, única e exclusivamente, escolher o seu destino.
Quando teve início a guerra do Iraque, ouvimos um cidadão iraquiano que mora no Brasil – em São Paulo – com mulher e filhos, mas que possui irmãos, pais, tios, sogros e outros familiares vivendo no Iraque se queixar da invasão americana.
Pela televisão ele dizia, com toda a razão, que os Estados Unidos não tinham nada que se imiscuir nas questões do Iraque. Que Sadan Russeim era realmente um problema, mas era um problema deles, iraquianos, e que cabia a eles, ao seu povo, resolver. E que mais cedo ou mais tarde resolveriam.
Como se não bastasse a opinião pública mundial e ainda o respaldo da ONU contrários, posicionaram-se contra a invasão o próprio povo daquele país que não só não queria ser bombardeado como temia as conseqüências da Guerra.
Já são quase dez anos de guerra infrutífera, mortes, mutilações, sofrimentos, prejuízos financeiros por... Nada!
O mais importante de tudo isso é que veio ao público declaração de um ex-embaixador americano, esclarecendo que o país africano (em que ele havia atuado como embaixador e que era acusado de fornecer os produtos e minérios para o desenvolvimento de armas atômicas), o Níger, estava sendo injustiçado.
Que não havia nenhum fornecimento para o Iraque. Que este país sequer possuía tais produtos. Que tinha grandes amigos no alto governo do Níger e que eles podiam afiançar com toda segurança que não haviam fornecido nada para o Iraque.
Valerie Plame, a mulher deste ex-embaixador, por coincidência, era uma espiã, agente na alta hierarquia da CIA, a grande empresa pública de espionagem norte americana, e, respaldando o marido, veio também ao público declarar que a CIA investigava este assunto há muito tempo e também podia afiançar que o Iraque não tinha meios materiais para construir armas atômicas. Que não havia perigo para o mundo. Que não havia risco nenhum.
Apesar disso tudo, Bush declarou, autoritariamente: com a ONU ou sem a ONU, com apoio ou sem apoio internacional vamos à guerra.
Não quis ouvir as vozes da razão, não deu ouvidos ao bom senso. Não teve compaixão. Não pensou em crianças, em velhos, em mulheres, em indefesos.
Quis por quis a guerra, com todas as atrocidades e conseqüências horríveis de operações desta natureza.
Foi como que uma vingança.
Seu pai, o velho Bush, ex-presidente norte americano, já havia, antes, atacado o Iraque numa guerra onde milhares haviam morrido de ambos os lados, muitos ficaram mutilados, muitos outros na miséria por verem seus lares e seu país destruído diante das forças esmagadoras do exército norte americano.
O país, já pobre em águas, viu os reservatórios poluídos pelo óleo, as usinas de petróleo, única fonte de rendas daquela nação desértica, destruídas, pontes derrubadas, hospitais em ruínas e, pior, monumentos históricos – Mesopotâmia: berço do mundo moderno, pelas antigas civilizações Sumérias, Assírias e Caldaicas – foram arruinados por bombas e mísseis. Dos museus dizem que pouco sobrou.
Mas o novo Bush queria mais.
Pelo que se depreende de seu comportamento, queria arrasar aquele pobre país. Queria vingar o pai.
Afinal, Sadan havia pintado a fotografia do velho Bush na porta de entrada do mais importante hotel da nação. Assim, todo visitante estrangeiro que fosse ao Iraque e ali se hospedasse, inclusive americanos, ao cruzar o umbral haveriam de pisar na foto do ex-presidente norte americano que havia destruído sua pátria.
Uma vingança puxa outra e eis que temos nova guerra
Bush não ouviu nem mesmo seus assessores mais diretos (A CIA, outros órgãos de segurança nacional, as Embaixadas, etc.) nem a opinião internacional expressa pela ONU.
Atacou e mais uma vez levou à morte milhares de pessoas de ambos os lados. Novamente mais mísseis e bombas caíram sobre o Iraque. Mais uma vez o País foi destruído. Mais uma vez miséria, fome e doenças. Mais uma vez destruição. Mais uma vez pontes, hospitais, escolas, museus, palácios, usinas, ruas e casas danificadas. Mais uma vez pessoas mutiladas e crianças órfãs.
Ficou comprovado pelas buscas realizadas pelos próprios americanos que o Iraque não tinha armas atômicas e nem representava perigo nenhum para a comunidade internacional.
Tudo era bravata de apenas dois homens. Bush de um lado e Sadan de outro.
Sadan pagou com a vida a sua parte.
E Bush? A nosso ver, tem tudo para ser classificado como réu em crime de guerra. Deveria comparecer, por isso mesmo, ao Tribunal Penal Internacional para responder pela morte e sofrimento de milhares de pessoas que morreram, continuam morrendo e sofrendo mutilações naquele país.
Mulheres, crianças, velhos, cidadão comuns e pacatos, pessoas simples que só querem trabalhar e viver em paz são mortos ou mutilados pela insanidade deste homem, que, por capricho pessoal, fez a guerra e por isso é responsável pela morte de milhares.
O poderoso presidente da nação mais poderosa da terra pode tudo?
Não.
Numa república não pode.
Tem que responder por seus atos diante da corte de Justiça de seu país. Se esta é condescendente com os atos de guerra cruéis cometidos injustamente que a Corte Penal Internacional, que existe para isso, tome as providências cabíveis.
Enquanto o Brasil, que apesar de todas as limitações, queria a busca do entendimento pela diplomacia, Bush queria a guerra e a fez.
Sobre este tema existe um excelente filme realizado pelos próprios norte-americanos, estrelado por Naomi Watts e Sean Penn que tem por título: “Jogo de Poder”. Nele está retratada toda a realidade dos supostos motivos para a guerra do Iraque.
Não somos advogados do diabo e nem defendemos Saddam ou qualquer outro ditador da mesma estirpe, mas somos, sim, pela Justiça e conclamamos para que todos nos unamos em torno dos fracos para que, no mundo, se reduzam as mortes desnecessárias, os sofrimentos e as diferenças sociais e todos os homens possam viver em paz e harmonia.
Que Bush responda diante de um Tribunal Penal Internacional, como todos os acusados de outros países, para ser julgado. Afinal, não foi ele quem disse “estar pouco se lixando para as leis internacionais?”
Ainda hoje, vendo pela TV um documentário sobre o onze de setembro, ouvi da boca do ex-presidente a repetição da fatídica e célebre declaração: “não nos interessam as leis internacionais”
O mundo quer Justiça ou não?
Não estaria na hora de o carroceiro parar a carrocinha e dar a cenoura ao cavalo?
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